Com o calor do verão, quem tem lúpus precisa redobrar os cuidados

30 de janeiro de 2019

Cerca de 30% a 40% das pessoas com lúpus apresentam maior sensibilidade aos raios ultravioletas. A exposição ao sol pode desencadear sintomas que vão desde erupções na pele para lesões nos órgãos internos graves. Uma das orientações cruciais dos reumatologistas aos pacientes portadores do LES é o cuidado em relação ao sol

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas Lúpus) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujo sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva – em meses – ou mais rapidamente – em semanas – e variam com fases de atividade e de remissão. Umas das principais recomendações dos reumatologistas aos pacientes com lúpus é o cuidado em relação a exposição solar. Proteger-se do sol é uma parte essencial do tratamento da doença.

O lúpus pode afetar pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém, as mulheres são muito mais acometidas. A doença surge entre os 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente em pessoas mestiças e afrodescendentes. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que haja cerca de 65 mil pessoas com lúpus, sendo que 90% dos casos são mulheres. Acredita-se que uma em cada 1.700 mulheres brasileiras tenham a doença. Apesar de não ter cura, o lúpus pode ser controlado com uso de remédios que ajudam a diminuir a ação do sistema imune.

Cerca de 30% a 40% das pessoas que têm a doença apresentam maior sensibilidade aos raios ultravioletas que, na maioria das vezes, geram surgimento de novas lesões na pele e crises de atividade do LES. Neste caso, o sol funciona como “gatilho.” Quando o paciente fica exposto ao sol e sem proteção, a pele fica avermelhada. No rosto, são visíveis lesões com o formato de asa de borboleta. Isto ocorre porque o sol promove uma reação imunológica no organismo, tornando a pessoa com lúpus extremamente fotossensível.

A reumatologista da Sociedade de Reumatologia de Brasília (SRB), Dra. Julinaide Matos, orienta que os pacientes portadores do LES usem protetor solar – mesmo em dias nublados: “É de extrema importância o uso do bloqueador – aplicando a cada duas horas, sendo a quantidade de uma colher de chá – além disso, é fundamental evitar a exposição ao sol entre às 10h e 15h,” alerta.

A exposição solar desencadeia uma reação inflamatória que pode afetar não apenas a pele, mas estruturas como articulações, cérebro e rins. O sol pode comprometer todos os órgãos envolvidos na doença, por isso, quem tem lúpus precisa redobrar os cuidados.

Ainda segundo a reumatologista, o portador do LES deve evitar também lugares que possa penetrar luz solar: “O contato com o sol provoca crises de atividade do lúpus. Para evitar a exacerbação da doença, é necessário proteger-se – uma atitude que também faz parte do tratamento,” destaca.

Além disso, o uso de óculos escuros ajuda a prevenir problemas na região dos olhos que podem afetar pacientes com LES. É importante também utilizar chapéus e/ou bonés para se proteger. A prática de atividade física é fundamental para controlar e estabilizar a doença, além de fornecer resistência aos portadores, mas deve-se evitar o horário em que os raios ultravioletas são mais fortes.

Lúpus Eritematoso Sistêmico  

Embora a causa do LES seja desconhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participam de seu desenvolvimento. Portanto, pessoas que nascem com susceptibilidade genética para desenvolver a doença, em algum momento, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, infecções virais ou por outros micro-organismo) passam a apresentar alterações imunológicas. A principal delas é o desequilíbrio na produção de
anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamação em diversos órgãos, como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações e rins.

Os sinais mais comuns do LES são: lesões na pele; dor nas articulações; inflamação nos rins e alterações sanguíneas. O diagnóstico é feito com a avaliação clínica de um reumatologista, que pode solicitar exames complementares, como de sangue e urina, que auxiliam também na definição da fase da doença.

O tratamento do LES é individualizado e depende da manifestação apresentada por cada um dos pacientes. O objetivo é permitir o controle da atividade da doença, a minimização dos efeitos colaterais dos medicamentos e uma boa qualidade de vida aos portadores de lúpus.

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