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CAPITA L REUMATO
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durante as Tci houve construções de poesias relacionais e leitura de poesias relacionadas
aos temas da roda.
Procedemos à leitura atenta do material produzido e escolhemos como frase síntese para
denominar a produção artística e literária a expressão «CORPO MÁQUINA».
Todo conteúdo extraído pela leitura atenta foi validado pelos integrantes da TCI (afiliação) (6).
Tendo como pano de fundo a pandemia de coVid-19, promotora per se de várias
reflexões sobre o tema “(DES)humanização do humano” no atendimento em saúde, vimos que
o material coletado continha, além da forte expressão do luto pandêmico nas mais variadas
formas, muitas referências à alegoria do corpo humano como uma máquina.
Como máquina, esse corpo era referido de forma segmentada, compartimentada, sendo
colocadas nele expectativas de um funcionamento perfeito ou mesmo como passível de
desempenho fabril.
Um dos resultados indesejáveis dessa distorção de parâmetros foi a desqualificação de
muitas características que nos distinguem como humanos. Esse fenômeno ocorreu em paralelo
a uma supervalorização do desempenho do indivíduo para além do humano. Surgia o “homem-
máquina”.
Segmentado em várias unidades aparentemente não comunicantes ou mesmo em constante
oposição, como corpo e mente, anatomia e fisiologia, forma e função, o humano viu-se
desmembrado. E foi a esse homem fragmentado que coube lidar com as mudanças trazidas
pela globalização e pela internet.
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